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O Uso do Óxido Nitroso na Clínica Odontopediátrica

O uso do gás de N2O como fonte de analgesia relativa em crianças para o tratamento odontológico, vem sendo cada vez mais amplamente estudado e utilizado. Desde a década de 60 que muitos autores da Europa e Estados Unidos vêm relatando a respeito da utilização desse recurso, como auxiliar no controle da tensão e ansiedade nos consultórios de odontopediatria. Em 1987, 73% dos membros da Academia Americana de Odontopediatria, utilizavam o N2O em sua prática diária. O uso de N2O no estágio 1, ou seja, estágio de analgesia, mantém o paciente em estado de relaxamento e receptividade mental. Neste estágio, os reflexos vitais do paciente mantêm-se inalterados. A sua recuperação após o uso é rápida e sem efeitos colaterais.

A analgesia relativa com N2O ocupa um papel muito importante para o oferecimento de um tratamento odontológico sem dor e emocionalmente atraumático, segundo relato de Hazlet (1970). O autor acredita que com o auxílio do N2O no controle do comportamente durante o tratamento, o odontopediatra poderá oferecer às crianças tratamento odontológico mais confortável. Hogue et al. (1971) relataram a respeito das respostas fisiológicas das crianças expostas ao N2O. Os autores concluíram que houve uma tendência geral de diminuição das batidas cardíacas e sensibilidade dos dentes, nenhuma das crianças apresentou náuseas ou vômitos (não houve instrução prévia sobre alimentação especial), 2 entre 33 crianças relataram dor de cabeça, todas apresentaram-se 100% positivas em teste de memória, sendo que a maioria permaneceu muito alerta. A maioria das crianças gostou da experiência, sendo que algumas delas inclusive não queriam parar. Três crianças não gostaram, mas também não mostraram nenhum tipo de animação com relação a qualquer procedimento que envolvesse o tratamento odontológico. Neste estudo, foram utilizadas concentrações de N2O de 5%, 10%, 20%, 30% e 40%. Sorensen & Roth (1973) em seu trabalho, enfatizaram que o momento de maior ansiedade no tratamento odontológico de crianças, é no ato da injeção anestésica. Eles analisaram os diversos métodos de controle psicológico e as técnicas convencionais de controle de comportamento, comparando-os com o uso de N2O. Eles tornaram-se totalmente convencidos de que, com o uso de N2O utilizado de maneira correta, o problema da agulha é devidamente contornado, tornando o tratamento bem mais agradável para ambos, profissional e paciente. Hammond & Full (1984), após o uso de N2O no tratamento de restaurações em dentes decíduos, concluíram que a analgesia com N2O diminui significamente a intensidade da dor durante a remoção do tecido cariado, tendo importante papel na redução da necessidade do anestésico local. Petersen (1987), após a utilização do N2O em 610 crianças, variando entre 2 e 8 anos, para a realização de tratamento restaurador, pulpotomias e tratamentos cirúrgicos, relatou que os pacientes mostraram-se muito mais despreocupados com relação ao tempo de cadeira, um índice muito menor de queixas de desconforto quanto ao tratamento, voltaram para as próximas consultas muito mais tranqüilos, permitiram um aprimoramento das técnicas utilizadas e um aumento da produção, se comparado com as técnicas convencionais de controle de ansiedade. Neste trabalho, relatou-se a ausência de reclamação por parte dos responsáveis, quanto a uma possível resistência das crianças para retorno ao consultório.

Levando-se em consideração que a dor, a tensão e a ansiedade estão presentes na quase totalidade dos casos dos tratamentos odontológicos, e que a dor apresenta dois componentes, um fisiológico e um psicológico, sendo que este componente psicológico pode apresentar-se das formas mais variadas e ser bastante exacerbado de acordo com as experiências e a personalidade do paciente, a analgesia relativa com o uso do gás N2O pode-se representar um fator importantíssimo para um tratamento adequado e atraumático para o paciente. No caso do tratamento em crianças, este recurso torna-se ainda mais importante, visto que as crianças não têm a capacidade de um controle psicológico de suas ansiedades e sensações dolorosas.

Baseado nos relatos apresentados e disponíveis na literatura odontológica mundial, pode-se concluir que a analgesia relativa com oxigênio e óxido nitroso, constitui um elemento de grande valia no controle da dor e ansiedade, e aumento da tolerância quanto ao tempo de cadeira necessário para o tratamento odontopediátrico padrão. Auxilia de forma efetiva as técnicas convencionais de controle de comportamento e torna os pequenos pacientes mais colaboradores. Contribui para uma menor resistência ao retorno às consultas, encarando o tratamento odontológico com maior positividade. Ainda, contribui para diminuir o stress na administração do anestésico local, diminui os reflexos exagerados e a incidência de indicação de anestesia geral.

Recomenda-se, para a aplicação da anestesia local (momento de maior stress) com o alcance do estágio 1 (analgesia), o uso nas concentrações 50%/50% de oxigênio e óxido nitroso, e para a manutenção desse estágio e realização do tratamento, o uso nas concentrações de 70%/30% de oxigênio e óxido nitroso. A técnica é indicada para crianças que não toleram a anestesia local.



Bibliografia
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  • Hazlett,
    D. L.; Child Behavior Management Utilizing Nitrous Oxide Relative Analgesia. J. Rocky Mountain Analges. Soc., 2: 6-8, 1970

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  • Hogue,
    D.; Ternisky, M.; Iranpour, B.; The response to Nitrous Oxide Analgesia in Children. J. Dent. Child., 38: 129-133, 1971

  • 3.
  • Hammond,
    I. & Full, C.A .; Nitrous Oxide Analgesia and Children's Perception of Pain. J. Ped. Dent., 4: 238-241, 1984

  • 4.
  • Petersen,
    S. P.; Analgesia Relativa com O2 e N2O em Odontopediatria - Experiência Clínica da sua Potencialidade e Aplicação Positiva. In: tese mestrado apresentada à FO-UFRJ, 1987

  • 5.
  • Sorensen,
    H. W. & Roth, G. I.; A Case for Nitrous Oxide Oxygen Inhalation Sedation: An Aid in the Elimination of the Child's Fear of Dental Needle. Dent. Clin. Nort. Am., 17: 51-66, 1973

  • 6.
  • Willie,
    W.D; Churchill-Davidson,H.C. ;Anestesiologia. 3.ed.Rio de Janeiro, Guanabara Coogan,1974,1031p.



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