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Técnicas de Utilização

Administração

O procedimento inicial deve ter a finalidade de familiarizar o paciente com o equipamento e a técnica. É importante que haja um diálogo entre o clínico e o paciente, no sentido de mostrar o equipamento e explicar as sensações provadas pelo óxido nitroso, conquistando a necessária confiança e cooperação para o atendimento. Em seguida, procede-se a instalação da aparelhagem de monitorização, instalação da máscara nasal e administração do gás.

Convém que haja uma observação e registro dos sinais do paciente nos períodos pré, trans e pós-operatório, bem como após 120 minutos e também após 24 horas.

O clínico deve começar administrando 4 a 6 litros/minutos de oxigênio a 100% sob ventilação com pressão positiva intermitente, e, à medida que o paciente se acostumar com a máscara e o equipamento, o nível de oxigênio deve ser baixado enquanto se aumenta o de óxido nitroso até 10%. Espera-se um período de tempo (1 a 2 minutos) para julgar a eficácia clinica e, então aumenta-se a concentração do anestésico aos poucos, até o paciente manifestar os sinais e sintomas desejados, devendo ser tal a concentração durante todo o atendimento clínico. Caso o paciente receba quantidade demasiada ou reduzida do fármaco, o efeito poderá ser alterado rapidamente (dentro de 30 segundos).

Os sinais e sintomas clínicos identificado o estágio apropriado de analgesia e sedação são: o paciente quase sempre sorri; as mãos tornam-se mais relaxadas; a boca pode abrir mas ele deve fechá-la quando solicitado e os olhos parecerão ficar a distância.

O paciente deve se sentir confortavelmente aquecido, sem obstrução, náusea ou tosse, e o relaxamento dos músculos da mandíbula deve ser o suficiente para manter a abertura da boca pôr meio de um abre-boca, se assim o profissional o desejar.

Sugestões positivas podem ser empregadas durante o atendimento clínico.

A música tem sido um complemento eficaz ao óxido nitroso. Colocam-se audiofones no paciente, o qual seleciona as músicas em que são tocadas em aparelhos comuns. A música mais eficaz é a do tipo suave e de ritmo uniforme.

No caso de crianças, deve-se primeiro obter a sua cooperação para o uso do equipamento. O seguinte diálogo pode servir de exemplo:

Cirurgião dentista (CD): "Você gosta de bexiga?"
Criança: "Sim"
CD: "Você gosta de bexiga azul?"
Criança: "Sim"
CD: Eu tenho uma bexiga azul. Você acha que pode enchê-la?"
Criança: Eu não sei."
CD: "Eu garanto que, se você conseguir encher a bexiga, então você poderá ir para casa. Certo?"
Criança: "Certo."

A "bexiga", na realidade, é reservatório de óxido nitroso.

Em seguida, mostra-se à criança como a bexiga deve ser inflada e a convidamos para experimentar. Suas mãos devem ser seguras para que ela não arranque a máscara nasal.

Após a inalação com oxigênio puro, para familiarização com o equipamento, a criança deve ser tranqüilizada: "Você esta fazendo direito. Está quase no fim, falta respirar mais de dez vezes e daí você vai terminar". Contar em voz alta a respiração da criança: "1,2,3,..."

Define-se o sucesso de sedação como ausência de choro ou movimentos que podem interromper o tratamento, sem que haja restrição ou contenção física.

É notório que o sucesso das técnicas de sedação para redução da ansiedade está na profundidade da anestesia local.

Após o termino do atendimento clinico, para reverter o estado de analgesia ou sedação, deve-se administrar oxigênio a 100% pôr 3 a 5 minutos, evitando o efeito residual do fármaco. Para administração de oxigênio a 100%, é necessário reduzir a concentração de óxido nitroso a zero, sem esquecer que os componentes de borracha ou plástico do equipamento terão absorvido o fármaco, que pode ser liberado de volta para o circuito.

Os pacientes poderão ser dispensados quando recobrarem a totalmente a consciência e a coordenação motora, podendo, pôr exemplo, responder o nome, segurar um copo d'agua com as mãos e beber água.

Existem testes escritos (preeenchimento de pontos em folha de papel) que podem ser utilizados para evidenciar-se a recuperação motora completa do paciente.


Preparo do paciente

Na consulta inicial, que de preferencia não deverá ser realizada na sala operatória, o paciente é avaliado para obter dados pessoais e sociais, rever sua história clinica e determinar a necessidade de exames laboratoriais ou de consultas com médicos especialistas.

Discutir a fundo a necessidade e suas conseqüências, estabelecendo a causa e extensão do problema. A conversa de ser conduzida de maneira simples, evitando que o paciente se sinta culpado por sua ansiedade. A avaliação inicial também deve consistir de entrevista com os familiares do paciente, pois muitas vezes podem explicar melhor a história clínica e participar da decisão pela opção de tratamento.

Segundo os critérios do Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA), os pacientes para analgesia e sedação são classificados nos níveis I e II. Nível I -"Quando Não Houver distúrbios orgânicos, fisiológicos, bioquímicos e psiquiátricos. O processo patológico para o qual a operação for realizada deve ser localizada e não deve ser um distúrbio sistêmico". O nível II é definido como um distúrbio sistêmico de suave a moderado causado pôr condições a serem tratadas cirurgicamente ou causado pôr outros processos fisio-patológicos".

Na consulta seguinte, já na sala operatória, o exame clínico e plano de tratamento devem ser feitos e apresentados ao paciente ou responsável, que deverá ser avisado de possíveis modificações devido a um exame detalhado não ser possível pôr causa da ansiedade. Tipo de personalidade, etnia, sexo e fatores sociais também devem ser considerados na classificação, diagnóstico e plano de tratamento.

As opções e prioridades de procedimento devem ser informadas ao paciente ou responsável entes do inicio do tratamento, informações tais como, ä necessidade de restauração com amálgama, no entanto, se a cárie apresenta lesão pulpar, então indica-se uma pulpectomia ou a extração, caso o dente não apresente condições de restauração". Previne-se, com esse diálogo, interrupções durante o tratamento para se obter o consentimento.

Deve ser explicado a todos os pacientes ou responsáveis que existem várias técnicas para torná-los relaxados e tranquilos e o tratamento ser confortável, tais como anestesia tópica e local, óxido nitroso e oxigênio, medicação oral, intramuscular e endovenosa ou anestesia geral. Riscos, complicações e benefícios também devem ser explicados, e dúvidas, esclarecidas.

Pode-se mostrar um videoteipe para mostrar as devidas técnicas de controle da dor e ansiedade ou fornecer orientações por escrito.

No caso do óxido nitroso, possíveis sensações como zunido, flutuação, transformações nos sons e relaxamento, devem ser explanados.

É importante lembrar que não existem técnicas cuja formula seja "ideal para todos os pacientes". É também importante que o paciente saiba que a sedação pode ser atingida se ele quiser. Isso dá ao paciente um senso de controle sobre seu tratamento.

O consentimento formal para o tratamento e técnicas de controle da dor e ansiedade deve ser obtido.

Instruções devem ser dadas ao paciente, antes de ele se apresentar ao tratamento sob analgesia ou sedação com óxido nitroso. São instruções simples: roupas largas, principalmente nas regiões do pescoço, cintura e braço; jejum para sólidos e líquidos durante quatro horas antes dos atendimento (não obrigatório); esvaziamento da bexiga para evitar diurese durante o atendimento; e remoção de prótese removíveis.

A equipe de recepcionistas e auxiliares possui papel muito importante no tratamento de pacientes com ansiedade, proporcionando suporte, encorajamento e compreensão através de uma atitude carinhosa que é muito apreciada pelos pacientes e familiares.



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